15.10.09

Folheando

A Argentina na Copa está, nossa torcida a pesar. Posso que esta foi a primeira notícia do dia dizer. Meu cérebro de manhã, meu cérebro precisa, ele precisa de um café forte pra pegar no tranco. Não tem jeito, se não for do meu saber no pó, no vidro e na pazinha, a quantidade exata. E na minha máquina. Ah, boa notícia, o governo a desasucrinar, vai restituir o imposto, o meu, o seu, o nosso suor e a renda, tudo junto, eu pelo menos espero. Enquanto não acordo aquele despertar do colega que, sempre chegando mais cedo e mais disposto, alegrista e conferencista, você odeia, meu conselho sugestivo é falar comigo só daqui a meia hora. Depois do jornal. Junto com a tinta que emporcalha os dedos, atrapalhando o biscoitismo, as mesmices, o lucro recorde dos bancos animando o mercado, me incomoda. O prefeito, por seu turno, cumpre sua antipalavra de campanha, parcela (sem juros!) o aumento do imposto predial, territorial, urbano e decreta: no que se refere ao primeiro caderno, nada mais a declarar.

Do torneio eliminatório dos cadernos, veículos empatou com imóveis, assegurando a vaga do esportes. Maradona esbraveja, Dunga resmunga, minha mulher caga e anda, eu bocejo de novo, pego mais café. O cronista, imbuído do poder eu já sabia, rebate os respostismos a raquetadas, sempre paragrafando em pouco brilho. Honduras, em estado de sítio, dá motivo de gritismo aos gansos, ovelhas, bovinos e pulgões, está na Copa. As notinhas canto de página do ciclismo, do tênis e da ginástica, apêndices do anúncio página toda, a promoção (sem juros!) de toda sorte de cromossomidade celular, alertam: há um possível campeão mundial, mas parece que ele não gosta de sair na foto.

Minha mulher saiu pra fazer isso que está reportado na matéria de capa do empregos, que eu passo, por estar desconexo da minha realidade agoral e, mais por uma obrigação, vou ao dinheiro. “Arrecadação do imposto sindical dispara”. Chorei. “Uma linha de crédito a mais, uma preocupação a menos”, claro que sim, diga isso pra minha digníssima, a vossa advogadeza que acaba de sair. O que, o imposto foi criado nos anos 40 por Vargas? Aí sim, adoro o bom velhinho, eu gostaria de ter vivido na época dele, ou talvez o que eu goste mesmo não vai mais ser publicado, as histórias, do meu avô, o gauchão. A bolsa sobe 2,4%, com o dólar a 1,70, eu poderia ir a Nova Iorque se o resgate não tivesse, se a minha vale já não fosse tão ordinária. Mas pra mim o que mais vale é o panda, esse bicho adoro e sempre penso nele quando o PIB da China não para de crescer e me dá vontade de comer broto de bambu no ching ling.

Por estar de pijama, por já passar do onze o ponteiro maior, por não ter uma fazeção digna qualquer em vista, não me sinto com tempo, tampouco à altura de lidar com a ilustrada. Meu dia a dia está mais pra co, pra quem não sabe bem o que ti, nada pra dar e nada pra di, está difícil explicar, não é fácil estar assim a esta altura do ano. Aqui sim, dá pra entender, melhor, juiz solta preso, mãe joga filha fora, latinhas e calabresa em oferta, tensões adolescentíssimas em provas, concursos, até em casas de detenção. O famoso pimenta no dos outros, parece nos redimir, é refresco. Folheando mais, até o final, profissionais oferecem-se. Janine vinte a, serv. compl. atend.a dom. Minha mulher gostar assim, gostar, não vai.

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